(Sobre)viver: exposição une arte e conservação para dar voz à fauna brasileira ameaçada 

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Com seis esculturas de animais ameaçados de extinção, intervenções de artistas e atividades educativas, o projeto convida o público a refletir sobre a crise da biodiversidade.

A exposição será aberta em 20 de novembro, no Shopping Morumbi Town, em São Paulo. 

E se, um dia, os animais que hoje conhecemos existissem apenas nas fotografias, nos livros e nas obras de arte? 

A pergunta pode parecer distante, mas reflete uma realidade cada vez mais preocupante. A perda e a fragmentação de habitats, a caça, a poluição, as mudanças climáticas e outras ameaças provocadas pelas atividades humanas colocam em risco a sobrevivência de inúmeras espécies. 

E, quando uma espécie desaparece, não perdemos apenas um animal. Perdemos relações ecológicas construídas ao longo de milhares de anos, funções essenciais para o equilíbrio dos ecossistemas e parte da biodiversidade que sustenta a nossa própria existência. 

É diante desse cenário que nasce (Sobre)viver, um projeto que transforma a arte em um chamado pela conservação da fauna brasileira. 

Idealizado pela Dionisio.AG, em parceria com a artista visual Flávia Braun, e patrocinado pelo QuintoAndar, por meio da Lei de Incentivo à Cultura, o projeto conta com o apoio do Instituto AMPARA Animal e da Sea Shepherd Brasil. 

A proposta é aproximar as pessoas da biodiversidade por meio de uma experiência artística, educativa e participativa, despertando reflexões sobre a nossa relação com a natureza e a responsabilidade que compartilhamos pela proteção de todas as formas de vida.

Quando a arte se torna um chamado pela vida 

A exposição apresenta seis esculturas de animais da fauna brasileira ameaçados de extinção, com aproximadamente 1,5 a 2 metros de altura, desenvolvidas por meio de modelagem tridimensional e transformadas pelas intervenções autorais de seis artistas. 

Cada obra carrega uma identidade artística própria, mas todas compartilham uma mensagem: a beleza de uma espécie não pode ser lembrada apenas quando sua existência estiver ameaçada.  

Mais do que reproduzir a aparência desses animais, as esculturas convidam o público a conhecer suas histórias, compreender sua importância ecológica e reconhecer as ameaças que enfrentam. 

Ao ocupar espaços de circulação pública, (Sobre)viver também busca romper com a ideia de que a conservação da biodiversidade é um assunto distante do cotidiano das pessoas. 

Afinal, a natureza não existe separada de nós. Dependemos de ecossistemas saudáveis para ter água, alimentos, equilíbrio climático e qualidade de vida. 

E proteger a biodiversidade exige reconhecer essa interdependência.

Seis espécies, seis histórias e um futuro que precisamos proteger 

As espécies representadas foram escolhidas com a participação das organizações parceiras, considerando sua importância ecológica e os desafios enfrentados para sua conservação. 

O Instituto AMPARA Animal contribuiu com a curadoria das três espécies terrestres — bugio-ruivo, lobo-guará e gavião-real —, enquanto a Sea Shepherd Brasil participou da seleção das espécies aquáticas: boto-vermelho, tubarão-martelo-panã e tartaruga-cabeçuda. 

Embora vivam em ambientes muito diferentes, esses animais compartilham uma realidade: sua sobrevivência depende de mudanças na forma como a humanidade ocupa, utiliza e transforma os ambientes naturais. 

Bugio-ruivo: a voz da Mata Atlântica que não podemos perder 

Conhecido por suas vocalizações potentes, que podem ser ouvidas a grandes distâncias, o bugio-ruivo (Alouatta guariba) é um dos primatas mais emblemáticos da Mata Atlântica. 

Ao se alimentar de folhas e frutos, contribui para a dispersão de sementes e para a dinâmica das florestas. Também desempenha um papel importante na vigilância da febre amarela, pois sua elevada suscetibilidade à doença pode ajudar a identificar a circulação do vírus. 

Entretanto, a perda e a fragmentação dos habitats, os atropelamentos, a caça, as doenças e a desinformação ameaçam sua sobrevivência. 

No estado de São Paulo, as populações da espécie foram profundamente impactadas por surtos de febre amarela. Além das mortes provocadas pela doença, os bugios também enfrentaram perseguição motivada pela falsa crença de que transmitem o vírus diretamente às pessoas. 

O Instituto AMPARA Animal desenvolve ações de pesquisa, monitoramento participativo e educação ambiental voltadas à conservação da espécie e à promoção da coexistência entre pessoas e fauna silvestre.

Conheça um pouco mais sobre nossa atuação com a espécie aqui. 

Em (Sobre)viver, o bugio-ruivo será representado pelo artista Leandro Nascimento (@o_leandronascimento), em uma obra que convida à reflexão sobre o futuro de uma das vozes mais marcantes das nossas florestas. 

Lobo-guará: o símbolo de um Cerrado que está desaparecendo 

Com suas pernas longas, pelagem avermelhada e hábitos predominantemente solitários, o lobo-guará (Chrysocyon brachyurus) é o maior canídeo da América do Sul e um dos grandes símbolos do Cerrado. 

Além de sua beleza, exerce uma função ecológica fundamental: a dispersão de sementes, especialmente da lobeira, contribuindo para a regeneração da vegetação e a manutenção dos ecossistemas. 

Mas os ambientes dos quais depende estão sendo rapidamente transformados.  

A expansão agropecuária, a fragmentação de habitats e a construção de estradas reduzem seus territórios e aumentam os riscos de atropelamentos. O contato com animais domésticos também pode favorecer a transmissão de doenças, como a cinomose e a sarna. 

Sua conservação depende da proteção das áreas naturais, da manutenção de corredores ecológicos e da adoção de medidas que permitam uma coexistência mais segura com as atividades humanas. 

No projeto, a artista Fênix (@fenixartivista) dará vida à escultura do lobo-guará, convidando o público a refletir sobre os caminhos que estamos interrompendo e sobre o futuro do Cerrado. 

Gavião-real: a imponência de uma espécie que depende das florestas

Uma das maiores e mais poderosas aves de rapina do planeta, o gavião-real (Harpia harpyja) é um predador de topo das florestas tropicais brasileiras. 

Com aproximadamente dois metros de envergadura, alimenta-se principalmente de mamíferos arborícolas, como preguiças e macacos, contribuindo para a regulação das populações de suas presas. 

 Sua sobrevivência depende de grandes áreas florestais conservadas, capazes de oferecer alimento, locais de reprodução e condições para a dispersão dos indivíduos. 

O desmatamento, a fragmentação florestal, a caça e a perseguição representam ameaças especialmente preocupantes para uma espécie de reprodução lenta, que geralmente cria apenas um filhote a cada dois ou três anos. 

A perda de indivíduos adultos pode comprometer a recuperação de populações inteiras. 

Em (Sobre)viver, o artista Pardal (@pardalone) transforma a força e a imponência do gavião-real em uma obra que nos lembra que nem mesmo os maiores predadores estão protegidos das consequências da destruição humana.

Boto-vermelho: a vida dos rios amazônicos também está ameaçada

O boto-vermelho (Inia geoffrensis) é um dos animais mais emblemáticos da Amazônia e desempenha um papel importante no equilíbrio dos ecossistemas aquáticos. 

Predador de diferentes espécies de peixes, também pode funcionar como indicador da saúde ambiental dos rios, uma vez que sua condição pode revelar impactos como a presença de contaminantes. 

Entretanto, a pesca, a captura em redes, a caça e os períodos de seca extrema ameaçam suas populações. Sua reprodução lenta dificulta a recuperação diante da perda de indivíduos. 

A Sea Shepherd Brasil atua na proteção desses animais por meio da Expedição Boto da Amazônia, com ações de monitoramento, fiscalização e mobilização pela redução das ameaças à espécie. 

O boto-vermelho será representado pelo artista Hulk (@andrehullk), em uma obra que dá visibilidade à importância da conservação dos rios e da fauna amazônica. 

Tubarão-martelo-panã: um predador essencial para a saúde dos oceanos 

O tubarão-martelo-panã (Sphyrna mokarran) é o maior representante dos tubarões-martelo, podendo alcançar cerca de seis metros de comprimento. 

Sua cabeça característica amplia sua capacidade de perceber o ambiente e localizar presas, tornando-o um predador altamente especializado. 

Apesar de sua importância para os ecossistemas marinhos, a espécie está classificada como Criticamente Em Perigo no Brasil. 

A pesca direcionada e a captura incidental estão entre suas principais ameaças. Além disso, a comercialização de diferentes espécies de tubarões sob o nome genérico de “cação” dificulta a identificação e a rastreabilidade desses animais. 

Por meio da campanha Cação é Tubarão, a Sea Shepherd Brasil atua para ampliar a conscientização, a fiscalização e a proteção desses predadores marinhos. 

A escultura do tubarão-martelo-panã será criada pela artista e curadora do projeto, Flávia Braun (@flaviabraunart). 

Tartaruga-cabeçuda: uma jornada de sobrevivência pelos oceanos 

A tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta) percorre grandes distâncias pelos oceanos e possui adaptações extraordinárias à vida marinha. 

Sua cabeça robusta permite quebrar carapaças de crustáceos, enquanto seu organismo apresenta adaptações que possibilitam mergulhos prolongados e a eliminação do excesso de sal. 

Mas sua jornada está cercada de ameaças. 

A captura incidental na pesca, as redes abandonadas, a poluição plástica e a iluminação artificial nas praias comprometem a sobrevivência de adultos e filhotes. 

A Sea Shepherd Brasil desenvolve ações de limpeza costeira, retirada de redes abandonadas e educação ambiental para reduzir os impactos sobre a fauna marinha. 

Em (Sobre)viver, a tartaruga-cabeçuda será representada pela artista Negana (@negana.pereira), em uma obra que convida à reflexão sobre os impactos humanos nos oceanos.

Muito além de uma exposição: arte, educação e transformação social 

A proposta de (Sobre)viver não termina na contemplação das esculturas. 

O projeto também contará com 16 oficinas artísticas gratuitas e inclusivas, realizadas aos finais de semana, com foco na participação de crianças, famílias e pessoas com deficiência. 

As atividades serão conduzidas por Flávia Braun e outros artistas participantes, com acompanhamento de monitores capacitados, estimulando a criatividade, a educação ambiental e a participação coletiva. 

A exposição também foi concebida para oferecer recursos de acessibilidade, como audiodescrição, interpretação em Libras e rotas acessíveis, ampliando as possibilidades de participação de diferentes públicos. 

Ao final do período expositivo, as seis esculturas serão destinadas a um leilão beneficente, e 100% dos recursos arrecadados serão destinados ao Instituto AMPARA Animal e à Sea Shepherd Brasil, contribuindo para a continuidade de ações de proteção da fauna. 

Dessa forma, o projeto conecta sensibilização, educação e mobilização de recursos, transformando a experiência artística em uma oportunidade concreta de apoio à conservação.

Venha conhecer (Sobre)viver: a exposição começa em 20 de novembro 

A primeira etapa da exposição será aberta ao público no dia 20 de novembro de 2026, no Shopping Morumbi Town, em São Paulo, onde permanecerá até 6 de janeiro de 2027. 

Durante esse período, os visitantes poderão conhecer as seis esculturas, descobrir mais sobre as espécies representadas e participar das atividades educativas previstas pelo projeto. 

Mais do que uma oportunidade de apreciar a arte, a exposição é um convite para refletir sobre o futuro que estamos construindo. 

Não queremos que as próximas gerações conheçam esses animais apenas por meio de esculturas, fotografias ou histórias sobre espécies que um dia existiram. 

Queremos que os bugios continuem vocalizando nas florestas, que os lobos-guarás percorram livremente o Cerrado, que os gaviões-reais sobrevoem grandes áreas conservadas e que botos, tubarões e tartarugas continuem desempenhando seus papéis nos rios e oceanos. 

A arte pode representar a natureza, emocionar e despertar novos olhares. Mas garantir que essas espécies continuem existindo exige ciência, políticas públicas, conservação dos habitats e responsabilidade coletiva! 

Programe sua visita! Exposição: (Sobre)viver — Arte pela conservação da biodiversidade  

  • Abertura ao público: 20 de novembro de 2026 
  • Período: 20 de novembro de 2026 a 6 de janeiro de 2027 
  • Local: Shopping Morumbi Town — São Paulo (SP) 

Venha conhecer (Sobre)viver e descubra como a arte pode nos aproximar da natureza e mobilizar ações pela biodiversidade. 

Idealização: Dionisio.AG, em parceria com Flávia Braun 

Patrocínio: QuintoAndar, por meio da Lei de Incentivo à Cultura 

Organizações apoiadoras: Instituto AMPARA Animal e Sea Shepherd Brasil

Instituto Ampara Animal

Somos uma ONG sem fins lucrativos, fundada e liderada por mulheres em 2010. Hoje, temos o titulo de OSCIP, reconhecendo nossa transparência e nos tornamos a maior organização de proteção e defesa animal do país, entre as 100 melhores ONGs do Brasil. Nosso propósito é transformar a sociedade por meio de ações de advocacy, educação e conscientização sobre os direitos dos animais.

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