Maio Amarelo, o avanço do PL 466/2015 e a urgência de estradas mais seguras para todos 

Bicho-preguiça atravessando uma rodovia
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Todos os anos, o Maio Amarelo mobiliza pessoas em torno de um objetivo urgente: tornar o trânsito mais seguro. Mas, quando falamos em segurança viária, ou seja, estradas e rodovias, existe uma realidade muitas vezes invisibilizada que também precisa entrar nessa discussão: os atropelamentos de fauna. 

Todos os dias, incontáveis animais silvestres e domésticos morrem em ruas e rodovias brasileiras. E não estamos falando apenas de mortes instantâneas. Muitos animais ficam gravemente feridos, sofrem mutilações, permanecem agonizando nas vias, são resgatados e encaminhados para reabilitação e vida em cativeiro ou acabam impactando acidentes que colocam vidas humanas em risco. 

Esse cenário é reflexo direto da forma como expandimos cidades, estradas e rodovias sem considerar que esses espaços já eram rotas naturais de inúmeras espécies. 

As vias interrompem caminhos, fragmentam habitats e dificultam o acesso à água, alimento, abrigo e reprodução. Para muitos animais, atravessar deixou de ser uma escolha e passou a ser uma questão de sobrevivência. 

Um avanço importante: a aprovação do PL 466/2015 na Câmara 

Em meio ao Maio Amarelo, a aprovação do Projeto de Lei nº 466/2015 na Câmara dos Deputados representa uma vitória importante para a biodiversidade brasileira e para a construção de estradas mais seguras. 

O projeto prevê medidas voltadas à implantação de passagens de fauna e outras ações de mitigação de atropelamentos em rodovias. Trata-se de um passo fundamental para reconhecer oficialmente um problema histórico que ainda recebe pouca atenção no país. 

Passagens subterrâneas, passagens aéreas, cercamentos direcionadores e corredores ecológicos são soluções já utilizadas em diversos lugares do mundo e comprovadamente eficientes para reduzir atropelamentos e reconectar ambientes fragmentados. 

Mais do que proteger animais silvestres, essas medidas também ajudam a reduzir acidentes envolvendo veículos e animais de grande porte, promovendo mais segurança para motoristas, passageiros e comunidades inteiras. Estradas mais seguras são um benefício coletivo. 

Ainda sabemos menos do que deveríamos 

Apesar da gravidade do problema, o Brasil ainda carece de dados amplos e integrados sobre atropelamentos de fauna. Grande parte das ocorrências sequer são registradas e inúmeros animais desaparecem antes mesmo de serem contabilizados. 

Tamanduá-bandeira atropelado em rodovia

Isso significa que, apesar de sabermos dos diferentes impactos para a biodiversidade brasileira, a dimensão real dessa crise é muito maior do que imaginamos. 

Por isso, fortalecer iniciativas de monitoramento, ciência cidadã e mapeamento de áreas críticas é essencial. Uma população informada e mobilizada faz toda a diferença na construção de políticas públicas mais eficazes e na pressão por mudanças concretas. 

Cada registro, denúncia e compartilhamento ajuda a tornar essa realidade menos invisível. 

Não basta aprovar leis: é preciso implementação e fiscalização 

A aprovação de projetos como o PL 466/2015 é extremamente importante, mas ela não resolve o problema sozinha. 

Leis precisam sair do papel. É necessário garantir fiscalização, implementação adequada das estruturas de mitigação, monitoramento contínuo da efetividade dessas medidas e transparência nos processos de licenciamento e obras rodoviárias. 

Também precisamos de planejamento urbano e viário que considere a coexistência entre pessoas e biodiversidade desde o início dos projetos, e não apenas como medida corretiva posterior. 

Além disso, atitudes individuais seguem sendo fundamentais: 

  • reduzir a velocidade em áreas de travessia de fauna, 
  • respeitar sinalizações, 
  • apoiar políticas públicas ambientais, 
  • cobrar autoridades e disseminar informação de qualidade. 

Segurança no trânsito é para todos 

O Maio Amarelo nos lembra que cada escolha no trânsito pode salvar vidas. E isso também inclui as vidas que não dirigem, mas que diariamente tentam sobreviver em meio às nossas cidades e rodovias. 

Falar sobre atropelamento de fauna é falar sobre conservação da biodiversidade, saúde única, planejamento urbano e responsabilidade coletiva. 

A proteção da fauna não pode continuar sendo tratada como um detalhe invisível das estradas brasileiras. 

Instituto Ampara Animal

Somos uma ONG sem fins lucrativos, fundada e liderada por mulheres em 2010. Hoje, temos o titulo de OSCIP, reconhecendo nossa transparência e nos tornamos a maior organização de proteção e defesa animal do país, entre as 100 melhores ONGs do Brasil. Nosso propósito é transformar a sociedade por meio de ações de advocacy, educação e conscientização sobre os direitos dos animais.

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