“A leitura do mundo precede a leitura da palavra.“
É com essa frase de Paulo Freire, tão simples e tão profunda, que compartilho minha experiência com o EducaFauna. Afinal, compreender a realidade a partir das vivências é a base de qualquer aprendizado significativo.
Um nascimento coletivo: educadores como protagonistas da mudança

O EducaFauna nasceu em 2025 como parte do programa Binóculos da Liberdade, impulsionado pelo desejo de engajar educadores na mobilização da escola e de outros espaços de aprendizagem na construção de valores para a coexistência e conservação da biodiversidade urbana.
Em parceria com a Fubá Educação Ambiental, a UMAPAZ/SVMA e, claro, com educadoras e educadores da cidade de São Paulo (e até de municípios vizinhos) demos o primeiro passo: criar um ambiente participativo, onde a troca de saberes e experiências fluísse de forma genuinamente coletiva. Dessa construção nasceu a proposta de elaborar um guia de atividades capaz de inspirar ações reais pela coexistência com a natureza das cidades.
A formação: vivências que despertam memórias, curiosidades e encantamento
Durante o processo formativo, os educadores vivenciaram atividades práticas que reacenderam lembranças, curiosidades e novas maneiras de perceber o ambiente ao seu redor — do pátio da escola às áreas verdes da vizinhança.
Essa construção coletiva, carregada de valores humanos e sensíveis, mostrou algo essencial: não é preciso ir longe para viver experiências de encantamento e aprendizagem com a natureza. Cada canto pode se transformar em um espaço precioso para conectar crianças, jovens e adultos ao ambiente natural.


Entre o concreto e o verde: cidades que crescem e biodiversidade que resiste
Ao mesmo tempo, não podemos ignorar que as cidades crescem, muitas vezes em um ritmo e de um modo que compromete a biodiversidade. Alterações de habitat, extinção local de espécies silvestres e conflitos entre pessoas e animais tornam-se cada vez mais comuns.
Por isso, o EducaFauna também nasce como instrumento de adaptação climática e como ferramenta para reforçar uma das funções mais importantes da escola: formar cidadãos críticos, participativos e capazes de ler o mundo e se mobilizar por ele.
Propostas que nasceram do olhar: a observação como vínculo
O mais bonito desse processo foi acompanhar como cada educador encontrou seu próprio jeito de se relacionar com a natureza urbana. A partir desse olhar singular, surgiram propostas de atividades para serem desenvolvidas em suas escolas e comunidades.
A cada encontro (e foram quatro) emergiram histórias, descobertas e reflexões que revelavam algo simples e profundo: a observação cria vínculos.
Um guia pioneiro, o primeiro passo de uma jornada maior!

Agora, São Paulo conta com um guia de atividades pioneiro, pronto para inspirar outras cidades, com seus contextos e realidades diversas. Embora essa formação tenha sido linda e coletiva, ela foi apenas o começo.
Queremos novas edições — especialmente nas regiões periféricas, onde comunidade e biodiversidade convivem tão próximas e, ao mesmo tempo, enfrentam mais conflitos. Queremos novos parceiros, maior protagonismo dos alunos, propostas ainda mais amplas e conectadas às diferentes realidades urbanas.
É sobre dar continuidade ao esperançar: construir uma cidade mais justa, humana e coexistente para todos os seus moradores — humanos ou não.
Parabéns, educadoras e educadores!
Texto escrito por Luccas Longo, Gerente de Projetos Educativos do Instituto Ampara Animal



