O que é leishmaniose e como ocorre a transmissão
Diferente do que muitos imaginam, a leishmaniose, não é uma doença infecciosa. É uma zoonose de evolução crônica, com acometimento sistêmico e, se não tratada, pode levar a óbito até 90% dos casos. Ou seja, é transmitida ao homem pela picada de fêmeas do vetor infectado, denominado flebotomíneo e conhecido popularmente como mosquito palha. Estes mosquitos são pequenos e têm como características a coloração amarelada ou de cor palha e, em posição de repouso, suas asas permanecem eretas e semiabertas.

A transmissão acontece quando fêmeas infectadas destes vetores, picam cães ou outros animais infectados, e depois picam o homem, transmitindo o protozoário Leishmania chagasi.
Cães como sentinelas da saúde pública
Em área urbana, o cão é a principal fonte de infecção. Os casos caninos geralmente precedem a ocorrência de casos humanos. Quando os animais adoecem, apresentam principalmente os seguintes sinais clínicos: apatia, lesões de pele, queda de pelos (inicialmente ao redor dos olhos e nas orelhas), emagrecimento, conjuntivite e crescimento anormal das unhas, chamado de onicogrifose.
Sinais clínicos da leishmaniose
Em humanos, a leishmaniose pode se apresentar de três formas:
- Cutânea: caracterizada por úlceras na pele que podem surgir semanas ou meses após a picada do mosquito infectado.
- Mucocutânea: forma mais grave que pode ocorrer se a cutânea não for tratada adequadamente. Afeta as mucosas do nariz, boca e garganta, podendo levar a deformidades faciais.
- Visceral: a forma mais grave da doença, afeta órgãos internos, como baço, fígado e medula óssea. Se não tratada, pode ser fatal.
Diagnóstico da leishmaniose: exames e critérios clínicos
O médico vai examinar o paciente e verificar se existe aumento do baço ou do fígado e pedir exames para verificar se existe anemia junto com diminuição de outros componentes do sangue (leucócitos e plaquetas). Além disso, existe também exame de sangue específico para confirmar a leishmaniose visceral, que é realizado quando a pessoa tem esses sinais e sintomas. Em alguns casos, pode ser necessário fazer outros exames para confirmar a leishmaniose visceral.
O diagnóstico em cães é inicialmente clínico, porém a infecção é identificada por exames laboratoriais específicos, baseando-se na detecção de anticorpos anti Leishmania. Dentre elas possibilidade de diagnóstico, podemos citar duas técnicas disponibilizadas pelo Sistema Único de Saúde.
- Reação de Imunofluorescência Indireta (RIFI) – consideram-se como positivas as amostras reagentes a partir da diluição de 1:80. Nos títulos iguais a 1:40, com clínica sugestiva de LV, recomenda-se a solicitação de nova amostra em 30 dias.
- Teste rápido imunocromatográfico – são considerados positivos quando a linha controle e a linha teste C e/ou G aparecem na fita ou plataforma (conforme Nota Informativa Nº 3/2018-CGLAB/DEVIT/SVS/MS).

Tratamento da leishmaniose: o que muda entre humanos e cães
O tratamento em humanos da leishmaniose depende da forma da doença (cutânea, mucocutânea ou visceral) e das condições clínicas específicas do paciente. Os medicamentos utilizados para tratar a leishmaniose têm como missão eliminar o parasita. Ele é gratuito e está disponível na rede de serviços do Sistema Único de Saúde (SUS). No entanto, no Brasil o homem não tem importância como reservatório, ao contrário do cão – que é o principal reservatório do parasito em área urbana.
As equipes de saúde devem supervisionar o tratamento individualmente, considerando as necessidades de cada paciente. Dessa forma, a duração pode variar, e é importante seguir todas as instruções médicas, mesmo que os sintomas melhorem antes do término.
Nos cães, o tratamento pode até resultar no desaparecimento dos sinais clínicos, porém eles continuam como fontes de infecção para o vetor e portanto, um risco para saúde da população humana e canina. Sendo assim, muitas pesquisas entorno de um tratamento eficaz vem sendo realizadas.
Prevenção da leishmaniose: medidas para proteger a todos
Sem dúvida, a prevenção da disseminação da doença é o melhor caminho para evitar a transmissão. Desta forma, indica-se:
- Medidas de proteção individual, como: Mosquiteiro com malha fina, tela em portas e janelas, uso de repelentes, não se expor nos horários de atividade do vetor (amanhecer e anoitecer) em ambientes onde o mosquito pode ser encontrado e tenha casos de leishmaniose relatados;
- Aos proprietários de cães em áreas de transmissão: Recomenda-se adotar a posse responsável do animal, mantendo o mesmo em ambientes telados cm malha fina, durante o período de maior atividade do vetor (amanhecer e anoitecer) e uso de coleiras repelentes de inseto;

- Destino adequado do lixo orgânico: A fim de impedir o desenvolvimento das larvas dos mosquitos;
- Mitigar proliferação dos vetores, evitando criação de porcos e aves em zonas urbanas, manter a casa e quintais, assim como arredores livre de matéria orgânica, recolhendo folhas de árvores, fezes de animais, restos de comida, madeira e frutas;
- Aumentar a divulgação de informações sobre a leishmaniose, obtidas de fontes confiáveis ao maior número de pessoas.
Por que a leishmaniose é uma questão de Saúde Única
A leishmaniose é um exemplo claro da interdependência entre a saúde dos animais, das pessoas e do ambiente. O controle da doença exige ações integradas e não admite atuação isolada, pois envolve o bem-estar animal, as condições ambientais e o acesso à saúde pública.
Por fim, é esse olhar amplo, colaborativo e preventivo que sustenta o conceito de Saúde Única.
Referências bibliográficas
- https://fiocruz.br/pergunta/como-e-feito-o-diagnostico-da-leishmaniose
- https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/l/leishmaniose-visceral
- https://www.saude.ce.gov.br/2024/04/05/leishmaniose-tegumentar-saiba-o-que-e-e-como-prevenir-a-doenca/
- https://www.einstein.br/n/glossario-de-saude/leishmaniose
- https://www.researchgate.net/figure/FIGURA-5-Sinais-clinicos-comuns-de-Leishmaniose-visceral-canina-Fonte-Adaptado-de_fig3_304015025
Texto: Dra. Paula Penido – AMPARA Ciência e Educação
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