Nova parceria com o voluntário e ilustrador Samuel Agostinho utiliza charges e quadrinhos para abordar, de forma lúdica e acessível, alguns dos desafios enfrentados pela fauna silvestre.
Uma família de bugios chega à beira de uma estrada. Do outro lado, a mata continua. Mas, entre um fragmento e outro, existe um caminho construído para nós e um enorme risco para eles.
A cena retratada na charge do ilustrador e voluntário do Instituto AMPARA Animal Samuel Agostinho pode parecer simples, mas representa uma realidade enfrentada diariamente por inúmeros animais silvestres no Brasil: para sobreviver em paisagens cada vez mais modificadas pelas atividades humanas, muitas espécies precisam atravessar estradas e rodovias.
E nem sempre conseguem chegar ao outro lado.

Quando a mata deixa de ser um caminho contínuo
A perda e a fragmentação de habitats estão entre as grandes ameaças à biodiversidade. Quando áreas naturais são desmatadas ou cortadas por cidades, plantações, empreendimentos e infraestrutura viária, ambientes antes conectados passam a existir como fragmentos isolados.
Mas os animais continuam precisando se deslocar.
Eles se movimentam para buscar alimento, água, abrigo, parceiros reprodutivos ou novos territórios. Para espécies que dependem das árvores, como os bugios, uma interrupção na cobertura florestal pode representar uma barreira ainda maior.
É aí que uma estrada construída para conectar pessoas pode, paradoxalmente, desconectar a natureza.
Além do risco direto de atropelamento, a fragmentação pode dificultar o deslocamento da fauna entre áreas de mata e comprometer processos ecológicos importantes. Por isso, conservar não significa apenas manter porções de vegetação em pé: é fundamental preservar e recuperar a conectividade entre elas.
Estradas também precisam considerar a fauna
Atropelamentos de animais silvestres não devem ser tratados como acontecimentos inevitáveis do trânsito. Planejamento, prevenção e medidas adequadas de mitigação podem reduzir esses impactos.
As passagens de fauna são um exemplo. Elas podem assumir diferentes formatos de acordo com as espécies e características de cada local, incluindo estruturas subterrâneas e passagens aéreas, especialmente importantes para animais arborícolas.
Mas a instalação de uma passagem, sozinha, não resolve todo o problema. É necessário identificar os pontos de maior risco, compreender quais espécies utilizam aquela paisagem e combinar diferentes estratégias, como cercamentos direcionadores, sinalização, adequação da velocidade, monitoramento e planejamento das rodovias considerando a conectividade da paisagem.
A proteção da fauna precisa fazer parte das decisões antes, durante e depois da implantação de uma estrada.
Porque, para nós, uma rodovia pode representar alguns minutos a menos em um trajeto. Para um animal silvestre, atravessá-la pode ser uma questão de sobrevivência.
Quando uma ilustração ajuda a enxergar um problema
Foi justamente essa realidade que ganhou uma nova linguagem pelas mãos de Samuel Agostinho, voluntário do Instituto AMPARA Animal.
Nascido em 2005, em Sobral, no Ceará, Samuel é poeta e ilustrador e, desde 2023, cursa Letras (Inglês) na Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA). Suas ilustrações podem ser encontradas em seu perfil no Instagram, @ilustragosto, onde atualmente também publica histórias em quadrinhos.
Em abril de 2026, publicou sua graphic novel “Dia de Folga!” na plataforma Fliptru e conquistou o 4º lugar na Premiação do Concurso Literário Assis de Almeida, da UVA, com o conto de horror “Baratas por toda parte”. No mês seguinte, apresentou o projeto “Eu que nunca vi as estrelas” no Festival dos Corres, reunindo poemas escritos em 2025.
Agora, como voluntário, Samuel coloca também seu talento e sua criatividade a serviço da proteção dos animais e da biodiversidade, contribuindo com uma nova forma de comunicar temas importantes para a conservação.
Novas linguagens para falar sobre conservação
Falar sobre perda de habitat, atropelamento de fauna, tráfico, incêndios, conflitos entre pessoas e animais silvestres e tantas outras ameaças à biodiversidade nem sempre é simples.
São assuntos complexos e, muitas vezes, sensíveis. Mas isso não significa que exista apenas uma maneira de abordá-los.
Charges, ilustrações e histórias em quadrinhos têm a capacidade de traduzir questões complexas em cenas que despertam identificação, reflexão e curiosidade. O humor, a sensibilidade e a ludicidade podem abrir portas para conversas que talvez não alcançassem determinados públicos por meio de uma linguagem exclusivamente técnica.
Isso não significa diminuir a gravidade dos problemas. Pelo contrário: significa encontrar novas formas de fazer com que eles sejam vistos e compreendidos.
A parceria com Samuel abre, assim, mais uma possibilidade para a comunicação do Instituto AMPARA Animal. Ao longo dos próximos conteúdos, suas ilustrações ajudarão a contar histórias e provocar reflexões sobre nossa relação com os animais, a biodiversidade e os espaços que compartilhamos.
E a primeira delas começa justamente diante de uma estrada. Se queremos paisagens onde pessoas e animais possam coexistir, precisamos construir caminhos para nós sem interromper os caminhos da natureza.
Diferentes talentos, uma mesma causa
A participação de Samuel também mostra que existem muitas maneiras de contribuir com a proteção dos animais e da biodiversidade.
O voluntariado pode transformar diferentes conhecimentos, experiências e talentos em ferramentas para a causa. Na comunicação, por exemplo, uma ilustração pode ajudar uma mensagem importante a alcançar novos públicos. Mas essa é apenas uma das possibilidades: o Instituto AMPARA Animal conta com diferentes frentes nas quais pessoas voluntárias podem contribuir com seu tempo e suas habilidades.
Quer usar o que você sabe fazer para ajudar a transformar a realidade dos animais? Conheça as oportunidades de voluntariado do Instituto AMPARA Animal e venha fazer parte dessa rede. Seja voluntário!



