Julho Dourado e o abandono de animais nas férias 

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As férias de julho costumam ser sinônimo de descanso, viagens e tempo em família. Mas, para milhares de cães e gatos em todo o Brasil, esse período representa um aumento no risco de abandono.

Coincidentemente, julho também passou a ter um significado ainda mais importante para a causa animal.

Com a publicação da Lei Federal nº 15.322, de 6 de janeiro de 2026, foi instituído oficialmente o Julho Dourado, campanha nacional dedicada à promoção da saúde e do bem-estar dos animais domésticos e dos animais em situação de rua, à prevenção de zoonoses e ao incentivo à adoção responsável.

Desta forma, mais do que falar sobre vacinação e prevenção de doenças, o Julho Dourado também nos convida a refletir sobre um tema fundamental: a guarda responsável.

Afinal, proteger a saúde dos animais também significa garantir que eles nunca sejam abandonados.

O abandono aumenta durante as férias?

Infelizmente, sim.

Durante os períodos de férias é comum que organizações de proteção animal, abrigos e protetores independentes registrem um aumento no número de cães e gatos abandonados, desaparecidos ou encontrados em situação de maus-tratos.

Esse cenário não acontece apenas no Brasil.

O abandono de animais nas férias é um problema observado em diversos países, independentemente de diferenças culturais, econômicas ou das legislações existentes.

Na Europa, países como Alemanha, Itália, Espanha e Portugal convivem com essa realidade há décadas. Por isso, governos e organizações promovem campanhas anuais para conscientizar a população sobre guarda responsável e apresentar alternativas ao abandono durante as viagens.

Na Alemanha, por exemplo, estima-se que cerca de 30 mil animais sejam abandonados a cada verão.

Já na Itália, levantamentos da organização LAV apontam aproximadamente 150 mil animais abandonados por ano, principalmente durante o período de férias, sendo que cerca de 85% deles morrem em até 20 dias, muitas vezes vítimas de atropelamentos, fome ou outros riscos.

Nos Estados Unidos, dados da American Society for the Prevention of Cruelty to Animals (ASPCA) indicam que mais de 20 milhões de animais são abandonados anualmente, com um aumento estimado de cerca de 20% durante as férias de verão.

Em algumas regiões, há inclusive o fenômeno dos chamados summer pets: animais adquiridos para acompanhar as famílias durante a temporada e posteriormente abandonados.

No Brasil, a realidade também preocupa.

Diversas organizações de proteção animal relatam que os meses de férias podem registrar um aumento de até 100% nos casos de abandono, especialmente entre dezembro e fevereiro, além de crescimento nas ocorrências durante julho.

Estima-se ainda que cerca de 30 milhões de cães e gatos vivam em situação de abandono no país, o que contribui para a superlotação de abrigos e amplia os desafios relacionados à saúde pública e ao bem-estar animal.

Além do abandono nas ruas, existe uma forma menos visível, mas igualmente cruel: muitos animais permanecem sozinhos em quintais ou residências durante dias, com pouca água e alimento, enfrentando fome, sede, estresse e até risco de morte.

Outros fogem assustados com fogos de artifício ou pela ausência dos tutores e acabam vítimas de atropelamentos.

Por fim, esses dados mostram que o problema não está na dificuldade de viajar com um animal, mas na falta de planejamento e, principalmente, na ausência de compromisso com a guarda responsável.

Abandono é crime!

Abandonar significa expor aquele animal a inúmeros riscos.

Um cão ou gato abandonado pode enfrentar:

  • fome e desidratação;
  • atropelamentos;
  • doenças e envenenamentos;
  • maus-tratos e violência;
  • frio, calor e chuva;
  • medo, estresse e sofrimento intenso.

O abandono também gera impactos para toda a sociedade, aumentando a população de animais em situação de rua, favorecendo acidentes e ampliando desafios relacionados à saúde pública e ao bem-estar animal.

Se você presenciar um caso de abandono ou qualquer outro tipo de maus-tratos, denuncie!

Os principais canais são:

  • Delegacia de Polícia Civil ou Delegacia Especializada de Meio Ambiente;
  • Ministério Público do seu estado;
  • Disque Denúncia (181), onde disponível;
  • Prefeituras e Secretarias Municipais de Meio Ambiente.

A denúncia pode ser realizada de forma anônima e pode ser fundamental para interromper situações de violência.

Conheça a cartilha do Instituto Ampara Animal

Para ajudar a população a reconhecer situações de maus-tratos e entender como agir, disponibilizamos a Cartilha com Tudo o que Você Precisa Saber para Identificar e Denunciar Maus-Tratos.

A informação é uma das ferramentas mais importantes para proteger os animais e incentivar a guarda responsável.

Guarda responsável também faz parte da saúde animal

Um dos principais objetivos do Julho Dourado é conscientizar a população sobre a importância da guarda responsável.

Ter um animal significa assumir um compromisso durante toda a sua vida. Isso inclui planejar os cuidados durante viagens e férias.

Antes de viajar, organize quem ficará responsável pelo seu animal. Familiares, amigos, pet sitters e hotéis especializados são alternativas seguras para garantir seu bem-estar.

Em alguns países, inclusive, organizações já incentivam redes colaborativas entre tutores para que cuidem dos animais uns dos outros durante as viagens, mostrando que existem diversas soluções e que nada justifica o abandono.

Julho Dourado também é sobre proteger vidas

Neste mês de conscientização, lembre-se: cuidar de um animal é um compromisso que não tira férias.

Se presenciar qualquer situação de abandono ou violência, denuncie. A proteção dos animais depende da responsabilidade de toda a sociedade.

Instituto Ampara Animal

Somos uma ONG sem fins lucrativos, fundada e liderada por mulheres em 2010. Hoje, temos o titulo de OSCIP, reconhecendo nossa transparência e nos tornamos a maior organização de proteção e defesa animal do país, entre as 100 melhores ONGs do Brasil. Nosso propósito é transformar a sociedade por meio de ações de advocacy, educação e conscientização sobre os direitos dos animais.

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