Vem Observar, na Trilha da Onça-Parda!  

Vem Observar
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Mais de 50 pessoas se reuniram no Parque Natural Municipal Itaim, na Zona Sul de São Paulo, para uma manhã de conexão, descoberta e celebração da natureza paulistana. A atividade Vem Observar – Na Trilha da Onça-Parda, realizada no dia 29 de agosto pelo Instituto AMPARA Animal, integrou a programação da Semana da Onça-Parda e celebrou também o Dia Internacional do Voluntariado, aproximando pessoas da biodiversidade que existe e resiste dentro da maior cidade do país. 

O encontro teve como propósito mostrar que São Paulo é também território de vida silvestre. Entre árvores, sons, cheiros e rastros, os participantes percorreram a Trilha do Silêncio, uma experiência de observação e contemplação da Mata Atlântica, acompanhando de perto um ambiente que abriga a onça-parda e centenas de outras espécies de animais e plantas. 

Ao longo da caminhada, a natureza foi observada a partir de diferentes sentidos. O convite era desacelerar, ouvir, sentir e perceber detalhes muitas vezes escondidos na paisagem urbana. E os registros não demoraram a aparecer: a atividade resultou na identificação de mais de 30 espécies de aves, mostrando a riqueza da avifauna presente nas áreas protegidas da cidade. 

Uma floresta dentro da cidade 

A presença da onça-parda é um dos símbolos dessa biodiversidade. Embora seja uma espécie de grande porte, ela compartilha esses ambientes com uma enorme diversidade de animais, plantas e outros organismos que formam complexas redes ecológicas. 

O Parque Natural Municipal Itaim faz parte de um conjunto de áreas protegidas fundamentais para a conservação da Mata Atlântica no município de São Paulo. A região também está inserida no território da APA Bororé-Colônia, formando uma paisagem onde fragmentos de floresta, cursos d’água, áreas rurais e comunidades humanas se conectam. 

É nesses espaços que espécies como a onça-parda encontram abrigo, alimento e caminhos para se deslocar. A conservação desses territórios, portanto, não representa apenas a proteção de uma espécie, mas a manutenção de toda uma rede de vida que beneficia também as pessoas. 

Observar para conhecer. Conhecer para proteger. 

Depois da trilha, os participantes compartilharam um café colaborativo e ajudaram a organizar a lista das espécies observadas. O momento também foi de troca de experiências e de valorização da ciência cidadã como ferramenta de aproximação entre as pessoas e a biodiversidade. 

A programação contou ainda com a exibição de um curta-metragem e uma Roda de Onça, que abriu espaço para conversar sobre a coexistência entre seres humanos e grandes felinos e sobre os desafios de conservar a fauna silvestre em uma metrópole como São Paulo. 

O encontro terminou com uma sensibilização sobre a floresta, reforçando uma mensagem que está no centro do Vem Observar: para proteger a natureza, é preciso primeiro permitir-se conhecê-la. 

Celebrar a Semana da Onça-Parda e o Dia Internacional do Voluntariado dentro de uma área protegida paulistana foi também reconhecer o papel de cada pessoa na construção de uma cidade mais amiga da fauna. 

Porque a floresta paulistana está aqui. E, quando paramos para observar, descobrimos que ela está muito mais viva do que imaginamos. 

São Paulo é mais uma vez a capital da observação da natureza do Brasil e tem mais, está entre as cidades onde a mobilização engaja a observação de natureza, traz informações e elas se transformam em ações para proteger e conservar a biodiversidade urbana. “Sampa”, que tem mais de 11 milhões de habitantes teve a participação de sua região metropolitana. E detalhe, juntas elas correspondem a mais de 20 milhões de habitantes, ou seja, olhares que podem ser mobilizados para a natureza. Logo, quanto mais gente observando e partilhando a biodiversidade urbana, mais conhecimento sobre a natureza das cidades teremos. 

E isso aconteceu, mais uma vez, durante o Desafio Mundial da Natureza Urbana – DMNU 2026, o maior evento mundial de observação da natureza! E esse ano, o evento foi mais especial, pois o Instituto AMPARA Animal em parceria com a Rede Brasileira de Naturalistas – RBN, celebraram cinco anos de mobilização em torno da biodiversidade urbana, da ciência cidadã e da conexão das pessoas com a natureza. O DMNU ocorreu simultaneamente, entre os dias 24 e 27 de abril, em centenas de cidades do mundo. Foram mais de 3 milhões de registros e 75.000 espécies, gente! Informações que mostram que mesmo em ambientes urbanos a natureza continua presente e precisa ser conhecida, valorizada, protegida e conservada. 

E a cidade de São Paulo fez história no desafio. Alcançando mais uma vez, o 1º lugar no Brasil e a 16ª colocação mundial em mobilização para observação da natureza. Foram mais de 32 mil novos registros, por fotos e áudios para o aplicativo iNaturalist, uma plataforma digital gratuita que guarda e democratiza dados sobre a natureza do mundo todo e é com ela que o DMNU e outros eventos, como o próprio dia a dia, ocorrem e tem seu impacto destacado. O Brasil teve mais de 2 mil espécies identificadas por mais de 400 observadores. Esses números demonstram o potencial socioambiental da ciência cidadã e o crescimento do interesse das pessoas pela natureza urbana livre, leve e solta, reforçando o potencial das cidades como espaços importantes para a conservação da biodiversidade. 

Esse ano, mobilizamos muitos parceiros e fizemos novos. Fomos a escolas, engajamos universidades e mais pessoas. E para a escolha por uma área verde e protegida paulistana, tivemos mais uma vez a parceria da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente – SVMA, que possibilitou em um movimento coletivo, que o evento na cidade ocorresse em uma das maiores unidades de conservação municipais, o Refúgio de Vida Silvestre – RVS Anhanguera, localizado na região noroeste da cidade. Criado em 2020, o RVS Anhanguera possui papel fundamental como refúgio e conservação da biodiversidade e conectividade ecológica da Zona Norte, integrando-se com outras áreas protegidas e áreas verdes. E olha só, foi a primeira vez que essa unidade recebeu uma atividade de observação da natureza e ciência cidadã como parte do DMNU, ajudando a ampliar os registros de biodiversidade já existentes para essa área protegida.  

Em um sábado e dia lindo, mais de 30 participantes lá estiveram para com seus sentidos aguçados, realizarem mais de 400 registros e destes, 190 espécies identificadas, entre aves, insetos, plantas, fungos e outros organismos. Com apoio logístico do Instituto AMPARA Animal e parceiros, como a Next Mobilidade, disponibilizamos transporte gratuito aos participantes, a atividade ampliou o conhecimento sobre a biodiversidade local e fortaleceu mais uma vez, a função das unidades de conservação urbanas como espaços de educação ambiental, mobilização e engajamento para a conservação e conexão com a natureza, que tanto faz bem para a ciência e para a saúde. 

Cada observação realizada durante o DMNU – ou fora dele, pois é fundamental observar e partilhar – gera informações importantes para pesquisa, monitoramento ambiental, conservação da biodiversidade e fortalecimento de políticas públicas. Todo mundo pode baixar em seu celular o iNaturalist, e dar sua contribuição para a cidade e para a ciência. Mais do que acumular dados científicos, iniciativas como essa aproximam pessoas da natureza, promovem trocas de conhecimento e despertam novos olhares sobre os ambientes naturais presentes nas cidades.  

Em tempos de mudanças climáticas e crescente desconexão com a natureza, ações coletivas de ciência cidadã tornam-se ferramentas fundamentais para fortalecer a conservação da biodiversidade urbana e incentivar formas mais conscientes de coexistência entre pessoas e natureza. Esperamos continuar contando com vocês e que possam estar com a gente nas próximas atividades! 

As ações do Vem Observar e do Desafio da Natureza Urbana fazem parte do Programa Binóculos da Liberdade, que visa a reconexão com a biodiversidade, a promoção da ciência cidadã e da coexistência. Bonito é ver, não ter!

Texto escrito por Luccas Longo, Gerente de Projetos Educativos do Instituto Ampara Animal

Instituto Ampara Animal

Somos uma ONG sem fins lucrativos, fundada e liderada por mulheres em 2010. Hoje, temos o titulo de OSCIP, reconhecendo nossa transparência e nos tornamos a maior organização de proteção e defesa animal do país, entre as 100 melhores ONGs do Brasil. Nosso propósito é transformar a sociedade por meio de ações de advocacy, educação e conscientização sobre os direitos dos animais.

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