No dia 14 de dezembro, o Instituto AMPARA Animal realizou sua última ação do ano participando de um festival e plantio comunitário de Mata Atlântica na região de Parelheiros, extremo sul da cidade de São Paulo. A atividade integrou o evento “Contra o Racismo, Eu Planto”, iniciativa do Instituto Brasileiro de Estudos e Apoio Comunitário (IBEAC), realizada em uma propriedade localizada na Área de Proteção Ambiental (APA) Bororé-Colônia, uma das maiores áreas protegidas municipais da capital.
Atualmente, o local passa por um amplo processo de restauração ecológica, com o plantio de espécies nativas da Mata Atlântica. No futuro, a área se tornará base para diversos projetos socioambientais desenvolvidos em parceria com a COOPERAPAS, a primeira e única cooperativa de produção orgânica da cidade de São Paulo. Um dos principais objetivos da iniciativa é o plantio de 10.639 árvores nativas, número que carrega um forte significado simbólico e político.
Esse total faz referência direta à Lei Federal 10.639/2003, que estabelece o ensino da história e cultura afro-brasileira nas escolas. Dessa forma, o plantio se conecta à valorização da memória antirracista em um território periférico, majoritariamente negro e jovem. Sai a vegetação exótica e invasora, e entram as espécies nativas da cidade. Mais do que reflorestar, a ação propõe plantar esperança para uma cidade mais justa, humana e conectada com a natureza.

Justiça ambiental também é proteção animal
Mas afinal, o que essa iniciativa tem a ver com a proteção e o bem-estar animal? A resposta é simples: tudo.
A causa animal está profundamente ligada ao enfrentamento do racismo ambiental e da injustiça climática. Em territórios periféricos como Parelheiros, comunidades historicamente marginalizadas são as que mais sofrem com a degradação ambiental, a escassez de áreas verdes e os impactos da crise climática. Nessas mesmas condições, animais domésticos e silvestres também são diretamente afetados.
A ausência de políticas públicas socioambientais, a ocupação de áreas de risco, as enchentes, as doenças e a perda de habitat expõem esses animais a situações constantes de vulnerabilidade. Portanto, cuidar dos animais nesses territórios é também cuidar do ambiente e das pessoas que nele vivem. Essa visão reconhece que a saúde humana, animal e ambiental estão interligadas, princípio fundamental da abordagem de Saúde Única.
Assim, atuar por justiça climática e contra o racismo ambiental significa promover dignidade, equilíbrio e bem-estar para todas as formas de vida.

Voluntariado, biodiversidade e esperança em ação
Foi com esse entendimento que a AMPARA mobilizou cerca de 30 voluntárias e voluntários (Bora ser voluntário? Só clicar aqui!) para participar do festival. Ao todo, foram plantadas 315 mudas, o equivalente a aproximadamente 700 metros quadrados de uma futura floresta de Mata Atlântica.
Entre as espécies plantadas estavam ipês, dedaleiros, ingás, aroeiras, embaúbas, entre muitas outras. Juntas, elas irão estabelecer um novo ecossistema, com seus respectivos microssistemas associados. Cada muda representa um passo concreto na reconstrução de um território mais saudável, biodiverso e resiliente.
Enquanto mais de 2.000 mudas eram movimentadas no local por diferentes organizações e voluntários, a fauna já dava sinais de reconhecimento. Acompanhando a atividade, aves como alma-de-gato, pavó, tucano-de-bico-verde, juruviara e juriti sobrevoavam a área, livres e vocalizando. Era como se anunciassem: “nossa floresta está voltando”.

Plantar árvores, ideias e futuros possíveis
A AMPARA seguirá plantando não apenas árvores, mas também ideias e conhecimento. A proposta é ampliar a conexão das pessoas com a biodiversidade local por meio da observação, do monitoramento participativo e da ciência cidadã, fortalecendo o protagonismo comunitário e o voluntariado.
Essa ação está totalmente integrada aos programas e projetos do Instituto AMPARA Animal, como o Binóculos da Liberdade e o Manual Cidade Amiga da Fauna. Ambas as iniciativas incentivam a reconexão com a natureza e promovem cidades mais acolhedoras para a fauna silvestre.
Ao participar do festival, a AMPARA reafirma seu compromisso com uma atuação que vai além do resgate e da proteção direta de animais. A organização atua também nas causas estruturais que geram sofrimento animal, como a desigualdade social e a degradação ambiental.
Porque, no fim, cuidar da natureza é cuidar das pessoas. E criar condições mais justas para a convivência entre humanos, animais e o ambiente é um compromisso coletivo. Afinal, não existe bem-estar animal nem conservação da natureza sem justiça social.

Texto escrito por Luccas Longo, Gerente de Projetos Educativos



