PL da Devastação ameaça biodiversidade e pode gerar retrocessos históricos na proteção ambiental brasileira

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A aprovação do Projeto de Lei 2.159/2021, conhecido por organizações ambientais como “PL da Devastação”, representa uma ameaça sem precedentes ao meio ambiente e à vida silvestre no Brasil. A proposta, que flexibiliza o licenciamento ambiental em diversos níveis, é vista por especialistas como um grave retrocesso na política ambiental do país, com impactos diretos e profundos especialmente sobre biomas sensíveis como o Pantanal.

Dessa forma, a aprovação do projeto em sua forma atual comprometerá décadas de avanços na legislação ambiental. O PL enfraquece o principal instrumento de controle e prevenção de danos ambientais: o licenciamento ambiental, previsto na Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA).

“O licenciamento ambiental é uma ferramenta fundamental para impedir abusos e garantir que empreendimentos sejam avaliados antes de causar danos irreversíveis. A flexibilização proposta pelo PL 2.159/2021 abre as portas para impactos ambientais mal dimensionados e cumulativos, que podem acelerar o colapso de ecossistemas inteiros”, afirma Filipe Reis, coordenador de Biodiversidade do Instituto Ampara Animal.

Pantanal sob ameaça

Pantanal

O Pantanal, maior planície alagável do mundo e um dos biomas mais ricos em biodiversidade, é apontado como uma das regiões mais ameaçadas pela proposta. Já severamente impactado por queimadas e pelo avanço agropecuário, o bioma pode sofrer ainda mais com a dispensa de licenciamento para atividades classificadas como de “baixo impacto”.
“Na prática, ações como o plantio mecanizado, a abertura de estradas e a construção de cercas, se realizadas sem avaliação técnica prévia, comprometem a integridade ecológica da região. Essas práticas fragmentam habitats, contaminam corpos d’água e interferem nas rotas migratórias de diversas espécies”, explica Reis.

A possibilidade de autolicenciamento — em que o próprio empreendedor declara que atende aos requisitos ambientais, sem análise prévia de órgãos reguladores — também preocupa. Portanto, a medida pode permitir que empreendimentos avancem sobre áreas críticas sem estudos de fauna ou exigência de medidas compensatórias.

“O autolicenciamento enfraquece a fiscalização e favorece o avanço sobre corredores ecológicos. Isso isola populações de animais, aumenta o risco de atropelamentos, tráfico de espécies e transmissão de doenças. É uma ameaça concreta à sobrevivência da fauna silvestre, sobretudo em regiões já pressionadas como o Pantanal”, alerta o coordenador.

Animais silvestres em risco

Ariranha

O Instituto Ampara Animal, por meio de sua Base de Atendimento Ampara Pantanal (BAAP), registra aumento nos resgates de animais silvestres feridos, vítimas de queimadas, atropelamentos e perda de habitat. A organização teme que, com a aprovação do PL, o cenário piore drasticamente.

“Nosso trabalho de reabilitação e soltura de animais depende da existência de áreas com qualidade ecológica. Sem habitat adequado, não há como garantir a sobrevivência dos indivíduos resgatados. O projeto compromete também esse elo fundamental da conservação”, acrescenta Reis.

Mobilização e resistência

O Instituto tem atuado contra a aprovação da PL, participando de campanhas, audiências e coalizões com outras entidades ambientais. A organização defende o arquivamento do projeto como única medida capaz de evitar os impactos negativos que ele representa.

“Estamos diante do maior retrocesso ambiental da história recente. Portanto, a única saída responsável é o arquivamento imediato do projeto. Se aprovado, restará à sociedade civil intensificar o monitoramento independente, fortalecer parcerias com instituições técnicas e exigir leis estaduais mais rigorosas”, defende Filipe Reis.

O papel da sociedade civil


Por fim, a organização também destaca que a participação da sociedade é fundamental neste momento. Cidadãos podem pressionar seus representantes no Congresso, apoiar instituições sérias e disseminar informações por meio de redes sociais e canais de mobilização.

“A pressão popular já foi decisiva em outras batalhas ambientais. Agora, mais do que nunca, precisamos que a população entenda o que está em jogo: não se trata apenas de burocracia ambiental, mas da sobrevivência de ecossistemas inteiros e das espécies que deles dependem”, finaliza o coordenador.

Para mais informações e para participar da mobilização, acesse: www.pldadevastacao.org

Instituto Ampara Animal

Somos uma ONG sem fins lucrativos, fundada e liderada por mulheres em 2010. Hoje, temos o titulo de OSCIP, reconhecendo nossa transparência e nos tornamos a maior organização de proteção e defesa animal do país, entre as 100 melhores ONGs do Brasil. Nosso propósito é transformar a sociedade por meio de ações de advocacy, educação e conscientização sobre os direitos dos animais.

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