Ocupando e Expandindo o Espaço das Mulheres em Campo

Curso Mulheres e a Fauna
Tempo de leitura: 3 minutos

Uma rede que cresce, se fortalece e transforma a conservação

O Instituto Ampara Animal apoiou a 2ª edição do Curso Mulheres e Fauna Terrestre: Monitoramento e Inventário, realizado entre setembro, outubro e novembro. O propósito central da iniciativa foi capacitar, incentivar e ampliar a presença de mulheres nas diversas áreas da conservação. Além disso, o curso dá visibilidade ao trabalho já realizado por tantas profissionais muitas vezes invisibilizadas ou subvalorizadas.

O curso criou uma grande rede de mulheres interessadas em se especializar, trocar conhecimento e aprender sobre diferentes grupos taxonômicos e metodologias de pesquisa. Portanto, mais do que aulas, foi um espaço de formação e acolhimento.

Formação técnica aliada ao acolhimento

Além do conteúdo teórico, o curso proporcionou um ambiente seguro para compartilhar desafios, vivências e soluções que mulheres enfrentam tanto em campo quanto na ciência como um todo. Organizado pela NeoPrego, ONG dedicada à pesquisa de primatas no Brasil e idealizado por Victória Pinheiro e Bia Carvalho, o curso começou com uma etapa teórica ministrada por especialistas em:

  • Herpetologia (anfíbios e répteis)
  • Ornitologia (aves)
  • Mastozoologia (mamíferos pequenos, médios e voadores)
  • Entomologia (insetos)

Essa fase inicial alcançou mais de 300 alunas, com recorde de mais de mil inscrições, e foi fundamental para preparar as participantes para a imersão prática.

Posteriormente, a etapa teórica se encerrou com uma mesa-redonda transmitida no YouTube, da qual tive a oportunidade de participar, compartilhando minha trajetória como mulher na conservação e apresentando a atuação do Instituto Ampara Animal. Como destaquei na conversa: “Percorremos um caminho mais tortuoso que os homens, que em maioria ganham visibilidade e reconhecimento mais rápido. A valorização da mulher no campo da ciência é muito mais difícil.”

Vivência prática: mão na massa, pé na trilha e ciência em tempo real

Para a fase prática, 150 mulheres foram selecionadas para vivenciar metodologias de monitoramento em campo em seus grupos de interesse.

A atividade ocorreu no Parque Estadual Intervales, no Vale do Ribeira (SP) — uma área de mais de 41 mil hectares de Mata Atlântica, que integra o Corredor Ecológico de Paranapiacaba. É o maior remanescente contínuo do bioma e abriga a maior diversidade de onças-pintadas da Mata Atlântica, com menos de 250 indivíduos.

As práticas foram acompanhadas por duas monitoras locais que trabalham no parque, fortalecendo ainda mais o papel das mulheres em todos os setores da conservação.

Durante o trabalho de campo, foram registradas espécies importantes, incluindo:

  • Uma serpente rara da família Tropidophiidae, pertencente ao grupo das jiboias
  • Aves emblemáticas como a maria-leque (Onychorhynchus swainsoni), surucuás (Trogon sp.) e arapongas (Procnias nudicollis)
  • Diversos insetos e até macacos-prego (Sapajus nigritus)

Dessa forma, esses registros contribuíram para ampliar dados de ocorrência e distribuição na região.

A voz das participantes

Uma das mulheres selecionadas para a etapa prática foi Franciele Souza, voluntária do Instituto Ampara Animal. Ela compartilhou:

“Vimos uma variedade incrível de fauna. Foi muito bom observar esses animais em vida livre, aprender sobre eles e entender as metodologias na prática. Foi uma honra participar disso tudo, e espero que o projeto continue por muitos anos, abrindo mais espaço para as mulheres no campo.”

Encerramento simbólico: uma teia construída por muitas mãos

O curso terminou com todas as participantes reunidas em um grande círculo. Assim, cada mulher escolheu uma palavra que representasse sua experiência, formando uma teia simbólica com um fio de cordão.
Entre as palavras escolhidas estavam: união, subversão, revolução, amizade, amor, aprendizado, apoio, paixão, mulheres, conhecimento.


A minha palavra foi revolução, porque resume tudo o que vivemos juntas.

Mais de 300 mulheres saíram conectadas por uma rede que segue ativa, forte e comprometida em ampliar o espaço feminino na ciência e na conservação.

Um movimento que ecoa a história da Ampara Animal

Dessa forma, a história desse curso dialoga profundamente com a essência do Instituto Ampara Animal: uma rede idealizada por mulheres que se recusaram a aceitar a situação dos animais em nossa sociedade.
Ao longo de 15 anos, construímos um movimento que salva e protege vidas — humanas e não humanas.

Por fim, vale ressaltar que hoje, mais de 80% da equipe da Ampara é composta por mulheres: profissionais altamente capacitadas, sensíveis, resilientes e determinadas a transformar a realidade da fauna brasileira.

Texto escrito por Juliana França, Coordenadora de Projetos Educativos do Instituto Ampara Animal

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Instituto Ampara Animal

Somos uma ONG sem fins lucrativos, fundada e liderada por mulheres em 2010. Hoje, temos o titulo de OSCIP, reconhecendo nossa transparência e nos tornamos a maior organização de proteção e defesa animal do país, entre as 100 melhores ONGs do Brasil. Nosso propósito é transformar a sociedade por meio de ações de advocacy, educação e conscientização sobre os direitos dos animais.

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