Operação Hanuman: mais do que uma operação policial, um retrato da triste realidade do tráfico de animais silvestres no Brasil
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Vidas sequestradas
Jaulas, correntes, gaiolas, caixas… São tantas as formas que a nossa espécie criou para sequestrar a liberdade de seres que nasceram para integrar algo muito maior que que preencher vazios humanos.
Presenciar o olhar de cada animal resgatado em uma ação de combate ao tráfico de vidas selvagens é uma experiência que não é possível apagar da memória. A inocência e o pedido de ajuda que eles transmitem no olhar é, para quem tem empatia, impossível de ignorar.
Choca acreditar que pessoas submetem seres inocentes à prisão perpétua. Do menor ao maior, todos sentem o mesmo desespero de terem suas existências abreviadas para o simples entretenimento de pessoas vazias.
Seres humanos que perderam suas cores, beleza e a alegria da alma, tentam absorver isso de forma injusta daqueles que ainda tem essas riquezas preservadas.
E o tráfico continua. Está acontecendo neste momento que você lê este texto. Mães são mortas, filhotes são roubados, caixas imundas são preenchidas de vidas roubadas… muitos morrem e os que sobrevivem são encarcerados. Neste instante, penso que a morte é um alento.
Não é justo, não faz sentido… o que estamos fazendo? Pra quê?
Quero crer que seja pura ignorância, mas atualmente sabemos que o nosso maior desafio é superar o ego humano, que realmente acredita ser dono de tudo e que, por ganância ou capricho, tudo se justifica.
Como integrante do time de comunicação do Instituto Ampara Animal, fiz as imagens em uma apreensão da Operação Hamunan, que ocorreu em 12 cidades espalhadas pelo território nacional, operação esta com o intuito de combate ao tráfico de vários animais em situação precária, assustados e debilitados. Muitos já haviam perdido o seu brilho e natureza selvagem. Mas quantos locais iguais aos que fomos existem no mesmo bairro, na mesma cidade, no nosso país?
Trabalhando todos os dias na linha de frente da causa animal, nós encontramos profissionais cansados de um sistema falho, com penas brandas (quando existem) e falta de investimento real em campanhas de conscientização e educação. Muitos se sentem “enxugando gelo”, e na maioria das vezes, de fato estamos. Mas, se não existissem esses profissionais, se não lutássemos, as coisas estariam bem piores. Para nós, o que consola é que cada indivíduo resgatado é um universo inteiro.
Os questionamentos e memórias de dor permanecem surgindo em nossa mente em vários momentos do dia, é uma constante. Seguimos inconformados em ver tanto sofrimento e nenhuma ação eficaz que nos traga esperança.
Animais silvestres tratados como Pets são vítimas de um egoísmo crônico da nossa sociedade que desaprendeu a respeitar a natura.
E você, sustenta o tráfico? Não seja co-autor desses crimes, não romantize animais silvestres humanizados em redes sociais e nem financie esse sistema tão cruel.
Texto de autoria de Luana Gardin, Gerente de Comunicação e Marketing do Instituto Ampara Animal
Sobre a Operação Hanuman
No dia 17 de junho, equipes da operação contra o tráfico de animais silvestres e espécies exóticas resgataram mais de 1.000 animais em 12 cidades brasileiras.
A Operação Hanuman, liderada pela Polícia Civil do Paraná, contou com o apoio das polícias de São Paulo, Minas Gerais e Santa Catarina. Além disso, contou com a participação do Ibama, IAT, Prefeitura de Curitiba e diversas ONGs ambientalistas — entre elas, o Instituto Ampara Animal, que prestou suporte técnico no cuidado dos animais e na cobertura da ação.
Ao todo, foram cumpridos 38 mandados de busca e apreensão, em residências, clínicas veterinárias e cativeiros ilegais. Estes são alvos de uma investigação que durou dois anos e se infiltrou em grupos com mais de 20 mil membros, infelizmente dedicados à venda ilegal de animais em todo o país.
A operação, portanto, concentrou seus esforços em desmantelar grandes distribuidores nacionais localizados em São Paulo, além de núcleos regionais no Paraná, Minas e Santa Catarina. Esses grupos abastecem o comércio clandestino de vida selvagem para consumidores em diferentes estados.
Dentre os crimes investigados: tráfico de fauna, maus-tratos, falsificação de documentos públicos, lavagem de dinheiro e organização criminosa — com penas que podem chegar a 25 anos de prisão.
O tráfico de animais é cruel, violento e lucrativo. E se alimenta da vaidade humana.
Em conclusão, animais são retirados da natureza, privados de sua liberdade, separados de suas famílias, feridos física e emocionalmente. Tudo para virar um “pet exótico” ou um post viral. Portanto, se você compra, você financia isso. Se você compartilha sem refletir, você alimenta esse ciclo.
Silvestre não é pet! O Instituto Ampara Animal segue presente e atuante na linha de frente da conservação e do combate ao tráfico. Por fim, mais do que nunca, reforça: a luta pela vida selvagem também é uma luta por um mundo mais justo, consciente e empático.
Somos uma ONG sem fins lucrativos, fundada e liderada por mulheres em 2010. Hoje, temos o titulo de OSCIP, reconhecendo nossa transparência e nos tornamos a maior organização de proteção e defesa animal do país, entre as 100 melhores ONGs do Brasil. Nosso propósito é transformar a sociedade por meio de ações de advocacy, educação e conscientização sobre os direitos dos animais.
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