Tamanduá-bandeira resgatado de incêndio no Pantanal é reintroduzido à natureza 

Soltura Miga - Blog
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Um dos animais símbolo do bioma pantaneiro acaba de retornar à natureza. Enfim a tamanduá-bandeira batizada de Miga foi reintroduzida ao seu habitat natural, após passar por um processo de reabilitação na Base de Atendimento Ampara Pantanal (BAAP), localizada na Transpantaneira, no Pantanal Norte.

Miga foi resgatada durante os incêndios florestais que atingiram o Pantanal em 2020. Inicialmente, foi encaminhada ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS), em Lucas do Rio Verde, e posteriormente transferida para a BAAP, onde recebeu acompanhamento especializado até sua soltura, realizada na primeira semana de junho de 2025. O IBAMA forneceu o colete de monitoramento que acompanha Miga nessa nova fase.

tamanduá-bandeira Miga Filhote
Foto: tamanduá-bandeira Miga filhote, acervo SEMA-MT

Reabilitação e treinamento para soltura da tamanduá-bandeira

O processo de reintrodução seguiu todos os protocolos técnicos. Assim, a equipe realizou o processo de aclimatação em um recinto com características do bioma, colocou colete de monitoramento funcionamento previamente testado com câmeras de armadilha fotográfica) no animal, além de realizar transição alimentar e redução de contato humano. Miga recebeu todos os cuidados necessários para garantir sua autonomia. A soltura do tipo “branda” permitiu que o animal permanecesse nas redondezas da base com acesso a suporte e alimento, garantindo uma adaptação gradual. Dessa forma, nos dias seguintes, a equipe continua avistando a tamanduáa Miga nas proximidades, indicando sinais positivos de readaptação. Veja como foi sua soltura aqui.

Segundo Letícia Fonseca, médica veterinária do Instituto Ampara Animal responsável pelos cuidados diários, a adaptação alimentar foi um dos pontos mais importantes do processo:

“Quando chegou, Miga se alimentava de uma papa líquida. Aos poucos, ajustamos a consistência e introduzimos alimentos naturais, como o cupim. Hoje, ela já demonstra interesse por cupinzeiros e se alimenta sozinha, como um animal em vida livre.”

Para o médico veterinário Jorge Salomão, responsável pelas operações da BAAP, a missão da base é clara: reabilitar e devolver para a natureza.

“Planejamos toda a nossa estrutura para acolher, recuperar e devolver os animais à natureza. Assim, sempre que possível, buscamos esse final feliz.”

Ele também destaca a parceria com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (SEMA-MT):

“Desde os incêndios de 2020, temos uma colaboração sólida com a SEMA. Eles fazem a destinação dos animais e atuam junto conosco em todo o processo, como no caso da Miga, que está sendo monitorada com colete fornecido pelo IBAMA.”

Por fim, para a médica veterinária Danny Moraes, analista da SEMA, participar desse retorno é motivo de orgulho:

“É muito gratificante ver um animal retornar ao seu ambiente natural. É o ciclo que se fecha com o esforço de uma rede de pessoas comprometidas. Anteriormente, já tivemos outros casos de sucesso, com animais que até se reproduziram em vida livre. Isso nos dá esperança e mostra que é possível reverter os impactos de tragédias como os incêndios de 2020.”

Ações em conjunto pela fauna do Pantanal

A ação é resultado da colaboração entre o Instituto Ampara Animal, a SEMA-MT e o IBAMA, assim, reforçando como o trabalho conjunto entre o poder público e a sociedade civil tem sido essencial para ampliar as chances de reintegração de espécies afetadas por incêndios, tráfico ou atropelamentos.

A Base de Atendimento Ampara Pantanal é a primeira unidade dedicada exclusivamente ao acolhimento e reabilitação da fauna silvestre na região. Desde sua criação, tem desempenhado um papel essencial na resposta a emergências ambientais e na devolução segura de animais à natureza.

A equipe segue monitorando Miga, portanto, com otimismo. Agora, a expectativa é que ela siga livre, saudável e que sua história inspire novos avanços na conservação da biodiversidade pantaneira.

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Instituto Ampara Animal

Somos uma ONG sem fins lucrativos, fundada e liderada por mulheres em 2010. Hoje, temos o titulo de OSCIP, reconhecendo nossa transparência e nos tornamos a maior organização de proteção e defesa animal do país, entre as 100 melhores ONGs do Brasil. Nosso propósito é transformar a sociedade por meio de ações de advocacy, educação e conscientização sobre os direitos dos animais.

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